OTHER: Eagle Eyes, by Pâms


Eagle Eyes

EAGLE EYES
por Pâms

"O que seria um simples final de semana em Ouro Preto, para participar da festa de Halloween da UFOP,
acabou me trazendo dias de descobertas, sustos e corridas não planejadas."
Gênero: Suspense - Fantasia
Dimensão: Oneshot
Classificação: PG-13
Aviso: POV / Songfic - Personagem vovó Azaléia e Annie são fixos. 

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# Capítulo Único #

 

CAPÍTULO ÚNICO

 

Esta história aconteceu em Ouro preto, Minas Gerais, cidade em si conta várias histórias por ser histórica, porém suas ladeiras e minas é que conhecem os mistérios do passado. Há várias lendas da cidade, contudo existe uma em que poucos conhecem, só os moradores mais antigos para ser mais exata.

Mas que lenda é essa? Não me olhem assim, eu também quero descobrir que mistério é esse. Vou começar me apresentando, meu nome é Pâmela, nasci e moro em Belo Horizonte, a bela capital mineira, tenho 17 anos e por coincidência resolvi me interessar pela Universidade de Ouro Preto, famosa UFOP. Tudo aconteceu em um simples final de semana, em que eu e minha amiga Anne fomos passar na casa da avó dela, para a festa de Halloween promovida pelos veteranos da universidade. A humilde, porém moderna residência se localizava em um quarteirão bem distante do centro comercial, na metade de um morro bastante inclinado. Ah! Um detalhe, todos os morros são inclinados e aquelas pedras ajudam bastante, é só deitar e descer rolando!

Ao chegarmos na casa, vovó Azaléia como gostava de ser chamada, nos recebeu com uma mesa farta de quitutes  mineiros, desde doce de leite até a broa de fubá. O cheiro do café fresquinho e moído na hora foi entrando pelas minhas narinas sem pedir licença. Eu particularmente odeio café, só tomo se ele vier acompanhado com um bom queijo mineiro. Enfim me servi de um chá que havia no velho bule de alumínio. É agora que a lenda começa, as horas se passaram, sexta á noite em Ouro Preto é o momento ideal para um passeio pelos botecos e bares, seria a primeira noite daquele final de semana de comemoração do Halloween. Porém eu ainda não estava animada, resolvi ficar em casa enquanto Anne saiu com a intenção de rever alguns amigos. Amigos?! Eu aposto que ela queria ver o Marcos, seu namorado de infância, mas isso não vem ao caso.

Na sala vendo TV e afagando seu gatinho, estava vovó Azaléia, quando eu entrei e reparei em um portarretrato com uma foto bem velha e com traços de antiguidade. Eu perguntei quem eram aquelas pessoas na foto, e a vovó enrolou em pouquinho até que finalmente cedeu e contou:

— Eu não deveria te contar, todos da minha geração prometeu guardar segredo. Você promete guardar também? — eu assenti com a cabeça e ela continuou com um tom nebuloso e medonho — Foi há anos e mais anos atrás, quando os ingleses vieram para Minas trazendo consigo seus vagões de ferro e trilhos ferroviários. Neste grupo da foto havia um homem rodeado de mistério. Meus avós me contaram que ele não veio para cá só por negócios, ele tinha um filho que era fascinado com pássaros, principalmente águias, pobre garoto tinha uma doença rara. Após a morte do pai o garoto morou sozinho em um casebre perto da gruta de águas claras, que fica perto desta cachoeira. Mas nunca ouvimos nada sobre a morte dele. O guia da gruta diz que ao entrar nela as pessoas correm o risco de ouvir os gritos do menino chamando pelo pai, como um filhote de águia chama pela mãe.

É claro que eu não acreditei naquela história de criança da vovó Azaléia, mas fiquei curiosa em ver a tal gruta. Detalhe, eu nunca ouvir falar daquela gruta, nem eu e nem 99% de Minas e 99,9% do Brasil. Eu voltei para o quarto onde estava instalada e comecei a imaginar como era dentro da gruta.

Na manhã seguinte após o café eu decidi caminhar um pouco, Anne como havia chegado tarde só iria acordar depois do almoço. Como era minha primeira vez em Ouro Preto resolvi visitar os pontos turísticos, toda a cidade estava decorada com o tema do dia das bruxas, achei divertido os moradores aderirem esta comemoração que nem é de nossa cultura, pela lógica seria mais um motivo para incentivar o fluxo do turismo na cidade e no que dependesse dos jovens da UFOP certamente essa cidade jamais ficaria vazia. Após conseguir me deslocar por entre um grupo de estudantes festeiros, vestidos de bruxos com uniformes de Hogwarts, consegui chegar na famosa feirinha de artesanatos. Foram alguns minutos admirando cada barraquinha até comprar uma pulseira com pequenas pedras ametista.

Porém a história da gruta não me saía do pensamento, bem, é isso mesmo, eu sei o que estão pensando. Eu fui até a tal gruta, que parecia mais uma caverna. Um ambiente frio e úmido, tudo o que eu mais “gosto”! Só que não! Na entrada havia um guia contando o início da história do local. Era um senhor de idade, de voz rouca e pouco baixa, ele contou exatamente com as mesmas palavras da vovó, omitindo algumas partes é claro. Eu e mais cinco pessoas entramos atrás do senhor. Sinceramente, não estava afim de ouvir mais histórias e me afastei do grupo entrando em um corredor estreito e escorregadio, a única luz que tinha era do meu celular que por azar ficou com a bateria fraca de repente. Em um certo momento comecei a ouvir vozes e barulhos, pensei que era o grupo e tentei correr para alcançá-los.

Ironia, eu acabei me infiltrando ainda mais gruta adentro e me perdi completamente, para piorar pisei em falso e caí deslizando barro a baixo, consequentemente bati a cabeça. Quando consegui abrir meus olhos, minha visão ainda turva e embaçada me permitiu enxergar dois homens perto de mim, os senti mexendo nos meus bolsos. Contudo nesta mesma hora apareceu outro homem, meio encurvado, meus olhos podiam estar enxergando mal, mas eu tenho certeza que era o guia velhinho. Os vultos foram claros eu acho, uma pessoa estava batendo em duas, ou será que era duas batendo em uma? Não me recordo muito do momento, só sei que me levantei tentando segurar nas paredes e caí de novo em um desmaio espontâneo.

Eu não sabia onde estava quando acordei, mas pude senti uma fogueira perto de mim me aquecendo, quando finalmente retomei meus sentidos, lá estava o velhinho me olhando encostado na parede que era de pedra. Ele sorriu rapidamente e andou até mim para me entregar a caneca que estava em suas mãos. Chocolate quente! Tudo o que eu precisava naquele momento.

— Acho melhor descansar. — disse ele quase me ordenando.

As horas se passaram ao longo do meu cochilo, logo fui acordando ao som de gritos de dor, ranger de dentes e tremores no chão como se dois ursos estivessem brigando ali dentro. Em plena cautela me levantei daquele humilde aconchego de cobertores e comecei a andar em direção aos gritos. Quando consegui chegar perto, me escondi para ver o que acontecia, parecia o guia velhinho que me ajudou. Ele estava perto de um laguinho ajoelhado em sua borda gritando de dor. A princípio não entendi o porquê, mas depois observei atentamente que seu corpo estava repleto de feridas e em sua volta no chão vários pedacinhos do que parecia pele.

Espera aí! Eu disse pele? Sim, era pele e o cheiro não era bom. Ele se contorceu e dava para ver que suas unhas estavam enormes e afiadas. Não foi uma cena saudável de se ver, ao tentar sair eu escorreguei - de novo - e caí. Consequência, chamei sua atenção, quando ele me olhou seus olhos estavam amarelos fazendo um formato avulsado como os de uma águia. Mesmo meus olhos fascinados com os dele, meu cérebro não quis impedir as minhas pernas de saírem de lá.

Nunca corri tanto na minha vida, foram corredores, pequenas escaladas e muito cansaço até que cheguei na entrada. Quando sai me deparei com total escuridão, deveria estar de madrugada, só a lua iluminava. O pior é que eu não tinha nem mesmo o meu celular, primeiro porque estava descarregado e segundo mesmo que não estivesse eu o deixei no conforto dos cobertores. Então me lancei na mata fechada, andando e sendo observada por alguns animais.

Em um piscar de olhos começou uma ventania estranha me fazendo sentir um longo e pavoroso frio na espinha, fui assim olhando ao meu redor, até que... Me deparei com uma coruja, levei um pouco de susto, mas segui em frente. Caminhando em silêncio total, um barulho surgiu do meu lado esquerdo e sem pensar duas vezes disparei a correr. Até deveria ter olhado para frente, mas meus olhos insistiam em verificar se alguém me seguia. Foi neste momento que trombei em alguém, ou alguma coisa que me fez cair - de novo. Sussurrando, fui pedindo que não fosse o guia velhinho e uma mão se estendeu para me ajudar a levantar.

—Você está bem? — me perguntou o rapaz com aparência de jovem e algumas marcas no rosto, só foi uma pena não poder ver seus olhos que foram cobertos pela sombra das árvores.

Assenti com a cabeça, após levantar tentei me limpar um pouco daquela terra que estava grudada na minha calça, ele me acompanhou o resto do caminho com algumas conversas rápidas. Chegando a cidade, por um descuido dele um feixe de luz se refletiu em seus olhos e eu pude ver, os mesmos olhos do guia velhinho, olhos de águia. Poupando minha voz, pois ainda me recuperava do fôlego, mesmo com um grito preso na garganta, tornei a correr ainda mais em direção a casa da vovó. Entrando tranquei a porta e corri para o quarto, ao entrar tranquei a porta e desabei no chão, meu corpo estava exausto de tanto sustos e corridas não planejadas, o resto da minha noite foi em claro, encolhida na cama e olhando para o relógio, ouvindo de longe o barulho da festa vindo da direção do centro comercial da cidade.

Enfim chegou o domingo, Anne entrou no quarto me perguntando onde eu estava, pois ela não tinha me visto na festa na noite anterior, ela havia programado aquela noite para me apresentar para a elite da UFOP, os alunos mais populares. Na hora não me veio nada na cabeça, mas fui obrigada a me esforçar e inventei uma breve desculpa, ela aceitou numa boa e tocou no assunto da gruta, disse que vovó também havia contado a história para ela e que era somente uma história inventada para os turistas. Contudo, eu sei o que vi e nada que ela dissesse tiraria da minha cabeça aquelas imagens, após tomar um banho e me trocar, eu fui para a cozinha:

— Você foi a gruta? — perguntou vovó me servindo um chá, eu assenti com a cabeça e ela continuou — Então você viu?! — eu assenti novamente e ela completou — Promete guardar segredo!? — ela fez o gesto de silêncio para mim e saiu da cozinha.

— Como é que pode todos os sábios da cidade saberem a verdade sobre a gruta e guardar segredo? Será que é por medo de serem chamados de loucos? — eu perguntei a mim mesma em voz alta enquanto partia um pedaço de bolo.

— Não está louca. — disse uma voz grave vindo da porta.

Automaticamente eu levantei a faca, quase que jogo o pedaço de bolo no chão.

— Calma, eu não sou assombração. Podemos conversar? — perguntou ele com seus olhos de águia voltando ao normal, castanhos claro.

— O que é você? — perguntei com dificuldade, minha atenção estava naquelas unhas enormes e afiadas, acho que já disse isso.

— Sou assim desde que me entendo por gente, quando chego em uma certa idade renovo minhas forças literalmente. Sou como uma águia, porém com o privilégio de não morrer. Eu tinha uma doença rara e meu pai soube da gruta, acho que foi a água de lá que fez isso comigo. Não sei o porquê, mas sou assim e peço que não conte a ninguém.

  Eu concordei e sorri para ele, passamos a noite conversando lá no meu quarto e o mais louco é que não conseguia parar de olhar para as cicatrizes em seu corpo, havia descoberto seu nome, Kyuhyun. O sol estava aparecendo, era a segunda-feira dando um oi para nós. Me despedi dele, jamais vou me esquecer daquele momento, era umas cinco e meia da manhã enquanto todos dormiam.

Ele me deu o seu adeus com um sorriso e em um momento de audácia ele pulou da sacada da janela se transformando em uma água em pleno... Ar.

“You can call me monster.”
- Monster / EXO

 

~ The End ~


N/A: Então, sou péssima para esse tipo de gênero, então tentei escrever algo mais leve e engraçado, espero que tenha dado certo!
Esta fic foi para o desafio #3 de Halloween
*-* By: Pâms *-*


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